Ciências e Química

Jogos em Sala de Aula: Novas Considerações

17/05/2009 14:37

Tenho notado um crescimento (exponencial?) de opções ou abordagens lúdicas na sala de aula desde que escrevi pela primeira vez o artigo sobre Jogos em Sala de Aula.

Eis me aqui a me prolongar sobre jogos na sala de aula. Creio que bem-vindo, pois a procura pelo primeiro artigo foi muito grande. Os tempos são outros, as opções parecem mais fáceis ou mais abundantes. Tenho explorado algumas possibilidades, especialmente como o auxílio de programas ("softwares") e recursos da chamada Web 2.0.

Mais recententemente, explorando a web, encontrei várias páginas em torno de um mesmo tempo: Super Trunfo e a Tabela Periódica. Tentei importar online um baralho, mas houve algum problema ao conferir meu cartão de crédito. Frustração. Pensava reviver parte de minha adolescência lá dos anos 80... Segui na busca por alternativa em encontrei artigos que me proporcionaram o caminho "faço você mesmo". Confira no final dessa página os endereços que me inspiraram. 

Após analisar essas ideias, ficou fácil construir o jogo. Escolhi imagens com exemplos de uso de diversos elementos, usei o Gimp para editá-las. Algumas tabelas periódicas para selecionar os elementos e certas propriedades. O BrOffice (StarCalc) para montar as cartas.

O uso de planilha me pareceu mais prático, pois podia facilmente ajustar as dimensões de cada carta e seus itens para caber numa página A4 e imprimir certeiro em folhas de cartões de visita. Não vou fazer propaganda de nenhuma gráfica, há várias muito boas disponíveis no Brasil a oferecer cartões de visita padronizados nas mais diversas gramaturas. Há pacotes com várias folhas, com 10 cartões em cada. Foi esse padrão que utilizei para criar meu modelo. É mais prático mesmo. Você notará que no meu modelo não dá para enxergar direito algumas coisas. Não tem problema se imprimir em folhas coloridas como eu. Caso prefira imprimir em folhas brancas ou tiver outro gosto, basta editar o arquivo que tornei público.

Escolhi características que julguei mais adequadas ao que trabalho ou que gostaria de enfatizar: número atômico, massa atômica, eletronegatividade, raio atômico, elétrons na última camada, ponto de fusão e ponto de ebulição. Cada cartão vem com os valores dessas características para cada substância pura do elemento em questão, mais uma imagem sugerindo onde ele é empregado. As imagens possuem também o número atômico e a massa atômica do elemento, bem como seus nomes em português e inglês. Pensei em adicionar também o significado do nome ou sua origem, mas estou a analisar essa possibilidade. O baralho que fiz tem 40 cartas, mas pode-se usar somente 32 (padrão do jogo comercial). O importante é não deixar faltar a carta do polônio (radioativo) que funciona como Super Trunfo. Ele dá graça ao jogo: perde para várias outras cartas, mas se o jogador que começa a rodada tiver ela na sua frente, ganhará dos demais sem precisar decidir por uma característica.

Algumas cartas do jogo


Algumas cartas do jogo. Clique na figura acima para copiar o modelo de cartões para essa atividade (será solicitada senha "tabela").

Não é um jogo, mas um trabalho de pesquisa que gosto que meus alunos façam é apresentado assim:
"Pesquise o elemento cujo número atômico é igual ao seu número de ordem na chamada.
O que pesquisar:
+ Seu símbolo e nome;
+ principais propriedades (massa atômica, ponto de fusão, densidade, ...);
curiosidades (dados históricos, o que significa o nome, etc.);
+ para que serve ou onde é usado (procurar exemplos).
O que colocar na capa do trabalho:
+ seus dados de identificação e da escola;
+ desenhar uma imagem que mostre uma aplicação do elemento pesquisado.
* Não esqueça de colocar no final do trabalho, a bibliografia usada (mínimo duas). Se usar página na internet, não esqueça de colocar o endereço completo.
* Escreva com suas próprias palavras. Não vale cópia.
"

Duas virtudes desse trabalho é ser exclusivo (cada aluno tem o seu elemento a pesquisar) e exigir o desenho da aplicação na capa (reforça a necessidade de ler e compreender o que pesquisou). Às vezes peço para pesquisarem dois elementos: o de número de ordem na chamada e o outro cujo número atômico corresponda ao seu número de ordem na chamada mais 40. Ainda assim, não gostando de nenhuma dessas sugestões, o professor pode usar o baralho acima para fazer o sorteio. Cada aluno retira uma carta com o elemento a pesquisar.

Ainda sobre cartas e tabela periódica, também uso cartas para que os alunos em grupos discutam formas de organizar os elementos de acordo com critérios. Costumam apresentar ideias bem interessantes e também recriam espontaneamente o caminho que Mendeleev seguiu para criar a sua. As cartas que distribuo contém um símbolo de elemento e algumas de suas características. As informações são baseadas no que dispunha Mendeleev à sua época. 

Algo importante ao distribuir os cartões é esclarecer como eles foram feitos:
+ cada um contém dados sobre um elemento (massa atômica, densidade e uma fórmula)
+ foi usada a mesma cor para escrever os símbolos de elementos com algumas propriedades semelhantes entre si. (Foram usadas 7 cores. Se desejar, peça para os alunos pintarem ao redor do símbolo de acordo com as semelhanças ou imprima em papel colorido, usando uma cor para cada grupo de elementos).

Tabela de Mendeleev
clique na figura acima para copiar o modelo de cartões para essa atividade (será solicitada senha "tabela").

Durante a atividade, fico a circular entre os grupos para ver as ideias que surgem. Alguns rapidamente organizam os cartões e pergunto como fizeram. Alguns escolhem a ordem alfabética, ordem de densidade, por cor, etc. colocando-os todos em fila única ou sem definir quando criar uma nova fila (geralmente o fazem porque faltou espaço na mesa). Quando usam apenas uma regra para ordenar, peço que criem mais um critério para classificar/organizar os cartões pois ajudaria a organizar os cartões de forma a ocupar menos espaço ainda. Não raro surgem propostas bem interessantes. Certa vez, um dos grupos propôs uma tabela na forma de um triângulo, com o H no topo. Os argumentos do grupo eram bem consistentes, lógicos. Oportunidade para destacar que não há a proposta verdadeira e única para a Tabela Periódica, mas um conjunto de ideias e de conveniências.

Sobretudo, para aprofundar e buscar apoio pedagógico, recomendo a leitura do livro Química de Beltran e Ciscato [São Paulo: Cortez, 1991. 243p. (Coleção Magistério - 2º Grau, Série Formação Geral)]. Os autores reproduzem um texto sobre Mendeleev e a Tabela Periódica que ajudam a compreender o processo de construção e organização do conhecimento a respeito dos elementos químicos. Uma forma de organizar essa aula foi relatada em http://khemis.webnode.com.br/news/mendeleev-e-a-tabela-periodica/.


Endereços relacionados:
* Copiar Jogo da Tabela Periódica (estilo Super Trunfo)
e Cartões de Tabela Periódica (montagem de Mendeleev): será solicitada a senha tabela.
* Super Trunfo - A Tabela Periódica: http://www.furb.br/temp_sbqsul/_app/_FILE_RESUMO_CD/411.pdf
* Construção da Tabela Periódica (Portal do Professor)

* Super Trunfo com Tabela Periódica (Portal do Professor)
Fontes de inspiração:
Loja da WebElements: http://www.webelements.com/shop/
Super Trunfo Árvores Brasileiras: progressoverde.blogspot.com  (artigo em http://www.cienciasecognicao.org/pdf/v14_1/m318326.pdf)
Jogo Educacional de Química: Super Trunfo – A Tabela Periódica: disponível em: http://www.furb.br/temp_sbqsul/_app/_FILE_RESUMO_CD/411.pdf
CISCATO, Carlos Alberto Mattoso; BELTRAN, Nelson Orlando. Química. São Paulo: Cortez, 1991. 243p. (Coleção Magistério - 2º Grau, Série Formação Geral).

Nota (03.jan.2013): O Dr. João Luís de Almeida Machado escreveu um artigo intitulado "Aprendendo História com Palavras Cruzadas" que vale ser conferido. http://www.planetaeducacao.com.br/portal/artigo.asp?artigo=242

publicado em 17/mai/2009 (originalmente em http://khemis.vilabol.uol.com.br/jogusQ2.html )

Pesquisar no site

visitas desde 6.set.2012